Quanto texto cabe numa peça vista de passagem

A pessoa que passa na calçada na frente da sua loja não para para ler. Ela está andando, talvez com sacola na mão, talvez olhando o celular. Você tem, na melhor das hipóteses, três segundos de atenção antes de ela seguir em frente.
Esse tempo é suficiente para passar uma mensagem — desde que a peça não tente dizer cinco coisas ao mesmo tempo.
O erro mais comum no varejo
A maioria das peças de TV na vitrine da loja nasce de um briefing de e-mail: produto, preço, condição de pagamento, validade da oferta, telefone, site e logo da marca. Tudo junto, tudo em fonte pequena para caber.
O resultado é uma tela que parece bula de remédio. Quem está parado pode até tentar ler. Quem está andando não lê nada — e a peça não existiu.
A regra dos três elementos
Uma peça vista em movimento comporta, no máximo, três elementos visuais: uma imagem forte, uma frase curta e um detalhe de apoio. Só.
- Imagem: ocupa a maior parte da tela. É o que chama o olho antes do cérebro processar qualquer letra.
- Frase: no máximo seis palavras. "Nova coleção de inverno chegou" já é longo. "Inverno novo" funciona melhor do que parece.
- Detalhe de apoio: pode ser o preço, pode ser "parcele em 10x", pode ser o nome da loja. Um dos três — não os três juntos.
Se a peça tem mais do que isso, ela foi feita para quem está sentado, não para quem está passando.
TV vertical muda o jogo na calçada
Uma TV montada na vertical, posicionada perto do vidro da loja, captura o campo de visão de quem caminha na calçada de um jeito que a TV horizontal não consegue. A proporção imita o que o olho humano vê quando olha para frente: mais altura, menos largura.
Para o lançamento de uma coleção, por exemplo, uma foto de produto em fundo limpo, o nome da coleção em letras grandes e a palavra "nova" em destaque preenche uma TV vertical com folga e ainda sobra respiro visual. Respiro é o que faz a mensagem chegar.
Loja que usa TV vertical como vitrine digital está, na prática, colocando um cartaz que se move no lugar de um cartaz que fica parado. A vantagem é poder trocar a peça em minutos, sem impressão, sem cola, sem escada.
O que fazer na prática antes de mandar a peça
Antes de enviar o arquivo para publicação, faça este teste rápido:
- Abra a peça no celular e coloque-o no chão, a uns dois metros de distância.
- Fique de pé e olhe por três segundos.
- Feche os olhos e diga em voz alta o que você lembrou.
Se você lembrou a mensagem principal, a peça passa. Se você lembrou "tinha bastante coisa escrita", a peça precisa ser simplificada.
Outro teste útil: mostre a peça para alguém que não sabe nada sobre o produto e pergunte "o que esta tela está vendendo?". Se a resposta demorar mais de dois segundos, há texto demais ou hierarquia visual errada.
Para peças de promoção com preço, o número precisa ser grande o suficiente para ser lido de três metros de distância. Se o preço é o argumento, ele é a frase principal — e os outros dois elementos giram em torno dele.
Quando a peça é para quem já está dentro
Tudo acima vale para vitrine e para corredor de circulação. A lógica muda quando a TV está na fila do caixa ou numa área onde o cliente para e espera. Aí você tem mais tempo, pode contar uma história em três ou quatro telas em sequência e pode incluir mais detalhe.
O erro é usar a mesma peça nos dois lugares. A TV da vitrine e a TV do caixa têm públicos em estados de atenção completamente diferentes — e precisam de peças diferentes.
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No Corpflix, quando o cliente manda a peça pelo WhatsApp, a equipe programa em qual TV ela vai passar e em qual horário. Uma peça simplificada para a vitrine pode rodar só durante o movimento da rua; uma peça mais detalhada pode ficar reservada para a TV do interior da loja. A programação de cada tela é feita separadamente, sem que o cliente precise operar nenhum sistema.